A VOLTA DO SOBRENATURAL DE ALMEIDA
O Brasil venceu o Japão por 2 a 1, mas não foi uma vitória: foi uma sessão espírita. Carlo Ancelotti, esse técnico que parece ter sido contratado não pela CBF, mas por um laboratório de alquimia, decidiu que a seleção não teria uma identidade e sim várias. Uma seleção mutante, camaleônica, capaz de trocar de pele no intervalo como quem troca de camisa. Essa multiplicidade que salvou o Brasil em Houston. O primeiro tempo foi tão sofrido que parecia escrito por um dramaturgo pessimista. O Japão, organizado como sempre, ajustou-se na parada para hidratação — porque até a água, hoje em dia, tem função tática — e encontrou um Brasil hesitante. Paquetá saiu no intervalo, machucado e melancólico, como um personagem que abandona a peça antes do terceiro ato. E então Ancelotti, com a serenidade de quem pede um café, colocou Endrick e reorganizou tudo. O Brasil virou outro. Talvez até dois outros. Bruno Guimarães, esse jogador que parece ter sido criado em laboratório para agradar técnic...