UM PRESENTE PARA VOCÊ


Ser professor me obriga a oferecer respostas, mesmo quando eu próprio não as tomo como verdade. Não preciso emitir minha opinião; basta citar as fontes. “Fulano afirmou isso”, “ciclano disse aquilo”. Afinal, o trabalho de pesquisa me exige um posicionamento, ao mesmo tempo que me permite esconder atrás da persona do professor.

Isso já me rendeu vários elogios: “nossa, como você é seguro”, “ai, como você é inteligente”. Nada disso é verdade — ou, melhor dizendo, é uma verdade parcial. Sou inteligentemente inseguro. Explico: apesar das minhas inseguranças, apesar das minhas incertezas, fui adquirindo habilidades — graças à Cinthia, minha psicóloga — para me preocupar apenas com aquilo que realmente demanda atenção e cuidado.

Eu não sei se estarei vivo amanhã, então vou viver da melhor maneira possível hoje. Quero que meu relacionamento dê certo, mas não sei se ele desembocará em casamento; por isso, serei o melhor namorado que eu puder ser agora. Quando for idoso, desejo ter boa saúde, e é justamente por isso que vou me cuidar enquanto ainda sou jovem. A vida é curta e frágil demais para que eu me perca em preocupações excessivas. A insegurança e a incerteza podem ser vividas com responsabilidade.

A pergunta que se impõe é: como viver a insegurança e a incerteza com inteligência. Aqui, preciso deixar claro que responderei a partir de Jesus de Nazaré. Ele reconhece que incerteza e insegurança produzem ansiedade. E, para Jesus, a ansiedade está diretamente ligada à forma como vivemos: “Por isso vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida [...]” (Mateus 6.25). Ansiedade não é frescura; ela molda a maneira como nos apresentamos diante da vida.

Outro ponto importante é considerar que, segundo Jesus de Nazaré, as inseguranças e incertezas que produzem ansiedade não acrescentam nada à nossa vida: “Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?” (Mateus 6.27). A seguir, veremos a resposta que Jesus oferece a nós, que somos ansiosos.

Jesus de Nazaré não propõe mágica nem magia. A proposta é prática. Ele nos convida a ajustar o foco: “Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai Celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves?” (Mateus 6.26). Uma leitura apressada poderia sugerir que basta olhar para as aves do céu, mas não é isso. O convite de Jesus é para contemplarmos o cuidado do Pai Celeste. Ele aponta para o Pai que sustenta, que provê, que cuida.

Para sustentar sua proposta, Jesus de Nazaré reafirma a soberania e o governo de Deus: “Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?” (Mateus 6.30). Descansar na soberania divina é uma maneira inteligente — e profundamente humana — de enfrentar as incertezas e inseguranças.

Até aqui vimos que o sustento, a soberania e o governo de Deus são instrumentos de enfrentamento diante da ansiedade — essa ansiedade que nasce da relação entre incerteza e insegurança. O quarto instrumento aparece no que Jesus diz em Mateus 6.31–32: “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? [...] Pois o vosso Pai Celeste sabe que necessitais de todas elas”. Saber que Deus sabe de nós é a única certeza de que realmente precisamos. Deus sabe da gente. Deus sabe das nossas necessidades. Deus sabe.

Veja, caro leitor, Jesus de Nazaré não vende a ideia de que as incertezas e as inseguranças desaparecerão — elas fazem parte da fragilidade da existência. O que Ele propõe é um modo de viver que não seja moldado pela ansiedade. Jesus ajusta o nosso foco para o Reino: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o Reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6.33). Jesus aponta para um Reino cujo Rei soberano governa, sustenta e sabe de nós. É o cuidado do Pai Celeste, e não a ansiedade, que deve orientar a forma como vivemos.

Eu, mesmo sendo professor e tendo acesso a tantas fontes de pesquisa, continuo incerto sobre muitas coisas e cheio de inseguranças. No entanto, com Jesus de Nazaré — e com muita terapia — aprendi que a ansiedade não pauta a minha vida, que a incerteza do futuro não determina a minha agenda de hoje e que somente a soberania do Pai Celeste é capaz de me trazer segurança.


 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ACADEMIA GUAÇUANA DE LETRAS: 26 ANOS DE ORGANIZAÇÃO

É O AMOR... E A POLÍTICA

SEM TEMPO PARA VIVER