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O HOMEM QUE AJUDOU DEUS

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Caro leitor, acredito que ninguém seja obrigado a nada. No entanto, é preciso reconhecer que até Jesus de Nazaré recebeu ajuda para carregar sua cruz. Antes de falar sobre o ajudador, quero, em poucas linhas, tecer alguns comentários sobre a cruz que Jesus carregou. A cruz provavelmente era uma cruz romana do tipo crux immissa (latina), composta por um poste vertical fixo e uma viga horizontal que o condenado carregava. Era feita de madeira comum, pesada, áspera, e reutilizada para múltiplas execuções. Os evangelhos indicam que Jesus carregou apenas o patibulum , a viga horizontal, enquanto o poste vertical já estava fixo no local da execução. Quando Jesus caiu, os soldados obrigaram Simão de Cirene a ajudar. A viga horizontal, mesmo pesando entre 34 e 57kg, foi esmagadora para Jesus porque ele já havia sido açoitado brutalmente, com grande perda de sangue; estava fisicamente exausto, desidratado e debilitado. Por isso os soldados obrigaram o cireneu a ajudar. Simão era de u...

DEUS NA SOLIDÃO DO SER

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Jesus de Nazaré acabara de tomar uma decisão urgente: obrigou os discípulos a embarcar e ir para o outro lado. Isso aconteceu porque o povo tentara transformá-lo em rei pela força. Depois de despedir a multidão, Jesus subiu ao monte com o propósito de orar a sós. Mateus, em seu evangelho, narrou da seguinte maneira: “Caindo a tarde, lá estava ele, só.” (Mateus 14.23). Note, caro leitor: o mesmo Jesus que ensinava e realizava milagres entre as multidões, que vivia com os discípulos a maior parte do tempo, de quando em vez sentia a necessidade de ficar sozinho, sem ninguém por perto, a sós com o Pai. A oração coletiva é uma bênção para a vida comunitária e uma fonte de edificação para a nossa espiritualidade; contudo, em alguns momentos, o lugar da oração é solitário, ermo e quieto. Não bastasse a ausência de companhia preferida por Jesus de Nazaré naquele momento, Mateus, o evangelista, deixou clara a diferença entre “subiu ao monte, a fim de orar sozinho” e “Caindo a tarde, lá esta...

A POLÍTICA DA DISTRAÇÃO

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  Considero legítima toda discussão séria, ainda que gire em torno de temas ultrapassados ou sem impacto social relevante, como o sexo dos anjos, se o homem pisou ou não na Lua, se na ceia Jesus tomou vinho ou suco de uva, a cosmovisão materialista-histórica, ou se há ou não direita e esquerda no Brasil, entre tantos outros assuntos. Não obstante, precisamos ter clareza de que os magnatas digitais e os autocratas não estão pensando nessas temáticas. Eles precisam que você, caro leitor, discuta com o seu vizinho sobre essas questões para que ninguém se atente ao que de fato está acontecendo. Voltemos às eleições de Barack Obama em 2008. Eric Schmidt, renomado executivo de tecnologia, engenheiro de software e amplamente conhecido por ter sido CEO do Google, junto com vários outros engenheiros cedidos pela empresa, delineou as estratégias que impulsionaram Obama à presidência dos Estados Unidos e, posteriormente, à reeleição em 2012. O plano foi o seguinte: construir a maior b...

O ANTÍDOTO DE RYLE PARA O SÉCULO XXI

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Certa vez, numa reunião do ministério de homens da Igreja Presbiteriana de Mogi Guaçu, defendi a tese de que o culto é um lugar de formação. Claro que a ideia não é minha, mas do filósofo cristão James K. A. Smith. O discipulado não acontece fora da igreja; ele se dá no culto público, no meio da coletividade. Também é necessário dizer que esse posicionamento não é original em mim, e sim do teólogo J. C. Ryle. Ryle (1816–1900), bispo da Igreja da Inglaterra em Liverpool, em seu livreto Adoração: prioridade, princípios e prática , publicado pela Editora Fiel, apresenta exemplos do Antigo e do Novo Testamento, além de episódios da história da igreja, para demonstrar a importância do culto público tanto para os cristãos quanto para aqueles que estão fora da cristandade. O autor não despreza as disciplinas espirituais individuais; ainda assim, foi contundente ao afirmar que “onde não há adoração pública, ali não existe igreja de Deus, nem pessoas que professam o cristianismo”. Essa observ...

ESPIRITUALIDADE ENCARNADA

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A nossa formação intelectual é, em grande medida, greco-romana. Lemos e interpretamos o mundo através dessas lentes e não há nada de errado com isso. O problema surge quando tentamos ler escritores que não enxergam a realidade a partir dessa mesma matriz filosófica. Veja: no que diz respeito à antropologia bíblica, nós, cristãos, insistimos em interpretar o corpo sob a ótica de Platão, desrespeitando a visão integrada que o judaísmo tem do ser humano. Os gregos viam o homem como uma estrutura tripartida e em constante conflito interno. Já na tradição judaica, o ser humano não é fragmentado em partes que lutam entre si. Nas próximas linhas, caro leitor, vou provocar você a enxergar o seu próprio corpo de um jeito completamente diferente. No judaísmo, a criação do corpo humano é um ato sagrado. Logo após a criação, o autor de Gênesis faz a seguinte observação: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gênesis 1.31). O texto bíblico jamais sugere que a nossa matéria é in...

DOMINGO, DIA DO SENHOR, MAS SE TIVER JOGO DO BRASIL...

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A polêmica gospel de 2026, especialmente durante a Copa do Mundo. mais precisamente no jogo entre Brasil e Noruega, marcado para domingo às 17 horas, bem próximo do horário de culto, gira em torno de saber se os torcedores irão ou não transgredir o dia do Senhor. Muitas igrejas cancelarão o culto, outras o anteciparão, e várias decidiram manter o serviço normalmente. Não posso falar do quintal do vizinho; por isso, darei o meu pitaco de cronista a partir dos Símbolos de Fé de Westminster — documentos adotados pela Igreja Presbiteriana do Brasil, instituição religiosa da qual faço parte. O capítulo XXI (do culto religioso e do dia do Senhor), parágrafo VII, da Confissão de Fé de Westminster, diz que Deus, por um preceito positivo, moral e perpétuo, ordenou que um dia em cada sete fosse separado para descanso santo e culto. Desde a criação até a ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana, isto e, o sábado; após a ressurreição, foi mudado para o primeiro dia (domingo), ch...

O CORAÇÃO MUITO GRANDE

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O futebol tem dessas coisas: quando um técnico elogia o jogador dizendo que ele tem “um coração muito grande”, ninguém sabe exatamente o que isso significa. O torcedor imagina que seja metáfora para disposição, entrega, intensidade. Já o cardiologista imagina outra coisa e fica preocupado. Mas no caso do Bruno Guimarães, o elogio faz sentido. Ele realmente joga como se tivesse espaço emocional sobrando. Ancelotti, que já viu de tudo no futebol — inclusive meio-campista que não sabe para onde correr — encontrou em Bruno uma raridade: um jogador contínuo. Não é rápido, não é lento, não é explosivo, não é cadenciado. É contínuo. Está sempre ali, sempre participando, sempre aparecendo, sempre resolvendo. É como aquele amigo que nunca falta no churrasco, mesmo quando não foi convidado. E o mais curioso é que tudo isso começou com um flerte frustrado. Em 2022, Ancelotti pediu Bruno ao Real Madrid. O clube olhou o preço, olhou o Newcastle chegando com mala de dinheiro e disse: “Carlo, deixa p...