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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

QUEM TEM MEDO DE LOBO MAU? EU TENHO...

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  Na semana retrasada, entrei em contato com um amado irmão — que foi meu pastor nos lindos tempos da Igreja Evangélica de Pinheiros — para pedir que orasse por mim. A saúde se esvai com o passar dos dias, aumentando, proporcionalmente, as dificuldades. Não sou o que outrora fui — e graças a Deus por isso. Embora ainda tomado pelo desejo de fazer a obra do Senhor enquanto é dia, sinto-me como um soldado impedido de alistar-se. Confessei-lhe que tudo era mais fácil quando recebíamos a sua direção. À época, queríamos ouvir apenas uma voz: a de Deus. Nada tinha mais valor do que a Palavra Sagrada, e a nossa única preocupação era a direção que o Espírito Santo nos dava por meio dela. O nosso coração estava cativo à obra do Senhor. Foi tudo muito bom. O tempo passou. A liderança desse pastor passou.  Eu passei. Andávamos em unidade; agora, cada qual está em seu canto, fazendo o melhor que pode. No entanto, um louvor profético permaneceu em meus lábios: é Jesus quem vai ...

A DELICADEZA NECESSÁRIA

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  Há algo profundamente inquietante no ato de ridicularizar aquilo que, para outro, possui valor íntimo. Não se trata apenas de uma grosseria social, mas de uma espécie de violência simbólica: ao zombar do que o outro estima, toca-se não no objeto, mas na tessitura invisível que sustenta sua experiência do mundo. O fato de algo não nos comover não nos autoriza a tratá-lo como irrelevante; a indiferença não é critério moral. As relações humanas, ao contrário do que muitos supõem, não se desfazem por divergências de opinião — estas são inevitáveis e até desejáveis. O que rompe vínculos é o desrespeito silencioso, a recusa em reconhecer que o outro pensa a partir de valores que o estruturam. Quando alguém despreza aquilo que me orienta, não está apenas discordando: está negando a legitimidade da minha própria interioridade. Talvez por isso eu sempre tenha nutrido uma reverência tranquila diante das diversas tradições religiosas — católicos-romanos, kardecistas, candomblecistas, um...

Matrix e o mito da caverna: quando a verdade liberta

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  A relação entre o filme Matrix e o Mito da Caverna de Platão revela como, mesmo separados por mais de dois milênios, ambos tratam da mesma inquietação humana: a dificuldade de distinguir aparência e realidade. Tanto a narrativa cinematográfica quanto o diálogo platônico mostram que viver na ignorância pode parecer confortável, mas impede o ser humano de alcançar a verdade e a liberdade. A partir dessa aproximação, é possível refletir sobre como ainda hoje permanecemos presos a “cavernas” modernas que moldam nossa percepção do mundo. A história de Neo, em Matrix, apresenta um indivíduo que vive em uma realidade ilusória construída por máquinas. Assim como os prisioneiros da caverna, ele acredita que aquilo que vê é o mundo real. As sombras projetadas na parede da caverna são substituídas, no filme, pelos códigos da Matrix, que criam uma simulação perfeita. Quando Neo é convidado a escolher entre continuar vivendo na ilusão ou enfrentar a verdade, ele passa pelo mesmo processo do...

Predestinação: quando a teologia fala mais alto que o destino

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Há ideias que atravessam séculos como rios subterrâneos. A predestinação é uma delas. E, curiosamente, ela só parece assustadora para quem a confunde com seu primo distante — o destino. Calvino sabia disso. Agostinho também. E a Confissão de Westminster, séculos depois, tratou de colocar cada peça em seu devido lugar. Agostinho, escrevendo contra o pelagianismo, foi o primeiro a erguer a bandeira: a salvação não começa no esforço humano, mas na graça divina. Para ele, Deus não apenas prevê; Ele age. Não apenas observa; decide. E decide não como um tirano caprichoso, mas como um Pai que conhece o fim desde o princípio. Agostinho não falava de destino, mas de um Deus que chama pelo nome. Calvino bebe dessa fonte e a aprofunda. Em suas Institutas, ele insiste que predestinação não é um mecanismo frio, mas um ato de amor soberano. Deus não lança dados. Deus decreta. E, ao decretar, não destrói a vontade humana — apenas a coloca no seu devido lugar. Para Calvino, o destino é cego; Deus, não...