O HOMEM QUE AJUDOU DEUS


Caro leitor, acredito que ninguém seja obrigado a nada. No entanto, é preciso reconhecer que até Jesus de Nazaré recebeu ajuda para carregar sua cruz.

Antes de falar sobre o ajudador, quero, em poucas linhas, tecer alguns comentários sobre a cruz que Jesus carregou.

A cruz provavelmente era uma cruz romana do tipo crux immissa (latina), composta por um poste vertical fixo e uma viga horizontal que o condenado carregava. Era feita de madeira comum, pesada, áspera, e reutilizada para múltiplas execuções.

Os evangelhos indicam que Jesus carregou apenas o patibulum, a viga horizontal, enquanto o poste vertical já estava fixo no local da execução. Quando Jesus caiu, os soldados obrigaram Simão de Cirene a ajudar.

A viga horizontal, mesmo pesando entre 34 e 57kg, foi esmagadora para Jesus porque ele já havia sido açoitado brutalmente, com grande perda de sangue; estava fisicamente exausto, desidratado e debilitado. Por isso os soldados obrigaram o cireneu a ajudar.

Simão era de uma cidade do norte da África, chamada Cirene, na atual Líbia. Provavelmente era judeu, pois o judaísmo tinha forte presença em sua região — razão pela qual ele estava em Jerusalém durante a festa da Páscoa, quando muitos judeus da diáspora viajavam para a cidade. Marcos, o evangelista, menciona que Simão era pai de Alexandre e Rufo, nomes conhecidos entre os primeiros cristãos.

O questionamento que se faz, caro leitor, é por que os romanos escolheram justamente Simão para ajudar Jesus. A resposta é simples: eles tinham autoridade para forçar qualquer pessoa a prestar serviço público. Aliás, a palavra utilizada nos evangelhos, no texto original, é aggareúo, que significa “compelir ao serviço”.

Se, por um lado, a cruz era um instrumento de tortura, humilhação pública e advertência política, por outro, a ajuda do cirineu tornou-se símbolo de solidariedade e participação na missão de Jesus.

Portanto, caro leitor, o evangelho de Jesus Cristo nos inspira a sermos solidários, participativos, misericordiosos e cheios de compaixão. Qualquer coisa, ou quaisquer ações contrárias a isso não são evangelho.

 

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