DOMINGO, DIA DO SENHOR, MAS SE TIVER JOGO DO BRASIL...
A polêmica gospel de 2026, especialmente durante a Copa do Mundo. mais
precisamente no jogo entre Brasil e Noruega, marcado para domingo às 17 horas,
bem próximo do horário de culto, gira em torno de saber se os torcedores irão
ou não transgredir o dia do Senhor. Muitas igrejas cancelarão o culto, outras o
anteciparão, e várias decidiram manter o serviço normalmente.
Não
posso falar do quintal do vizinho; por isso, darei o meu pitaco de cronista a
partir dos Símbolos de Fé de Westminster — documentos adotados pela Igreja
Presbiteriana do Brasil, instituição religiosa da qual faço parte.
O
capítulo XXI (do culto religioso e do dia do Senhor), parágrafo VII, da Confissão
de Fé de Westminster, diz que Deus, por um preceito positivo, moral e perpétuo,
ordenou que um dia em cada sete fosse separado para descanso santo e culto.
Desde a criação até a ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana,
isto e, o sábado; após a ressurreição, foi mudado para o primeiro dia (domingo),
chamado nas Escrituras de Dia do Senhor, que deve continuar até o fim do mundo
como o sábado cristão.
Já parágrafo
VIII ensina que o Dia do Senhor deve ser guardado com seriedade e dedicação.
Nesse dia, os cristãos devem separar o coração e o tempo das ocupações comuns
da semana, evitando trabalhos, recreações e distrações que não sejam obras de
necessidade ou misericórdia. O dia deve ser empregado inteiramente em atos de
culto público e privado, e em preparação espiritual, desde o início até o fim
do dia.
O argumento
é simples: guardar o Dia do Senhor é um imperativo para os cristãos porque,
segundo a tradição reformada expressa na Confissão de Fé de Westminster, esse
mandamento não é apenas uma recomendação piedosa, mas uma convocação divina que
estrutura o ritmo espiritual da vida.
Como
eu gosto de cutucar a onça com vara curta, aproveito a oportunidade para
avançar um pouco mais no debate. O Dia do Senhor é um imperativo para o serviço
cristão. Tenho percebido, porém, que a celebração dominical deixou de ser culto
para se tornar um espaço de consumo: poltronas confortáveis, ar condicionado, cantores afinados,
músicos impecáveis, músicas que acariciam o coração, sermão motivacional e, se
sobrar disposição, durante a semana servimos em algum ministério da igreja.
Se
transgredimos o Dia do Senhor ao simplesmente não comparecer ao culto, também o
fazemos quando comparecemos apenas para consumir. A lógica é a mesma: em vez de
oferecermos a Deus o nosso tempo, nossa atenção e nosso serviço, buscamos
apenas aquilo que nos agrada, conforta ou entretém. A transgressão, portanto,
não está apenas na ausência física, mas na presença vazia.
Encerrando
esta crônica, parafraseio o técnico da seleção brasileira, o italiano Carlo
Ancelotti, ao comentar a relação entre religião e esporte. Católico praticante,
ele costuma lembrar que “Deus tem coisas melhores e mais importantes para
fazer”. No fundo, o desafio não é decidir se Deus se importa com futebol, mas
se nós ainda nos importamos com aquilo que Ele chamou de santo.

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