A POLÍTICA DA DISTRAÇÃO
Considero legítima toda discussão séria, ainda que gire em torno de
temas ultrapassados ou sem impacto social relevante, como o sexo dos anjos, se
o homem pisou ou não na Lua, se na ceia Jesus tomou vinho ou suco de uva, a
cosmovisão materialista-histórica, ou se há ou não direita e esquerda no
Brasil, entre tantos outros assuntos.
Não
obstante, precisamos ter clareza de que os magnatas digitais e os autocratas
não estão pensando nessas temáticas. Eles precisam que você, caro leitor,
discuta com o seu vizinho sobre essas questões para que ninguém se atente ao
que de fato está acontecendo.
Voltemos
às eleições de Barack Obama em 2008. Eric Schmidt, renomado executivo de
tecnologia, engenheiro de software e amplamente conhecido por ter sido CEO do
Google, junto com vários outros engenheiros cedidos pela empresa, delineou as
estratégias que impulsionaram Obama à presidência dos Estados Unidos e,
posteriormente, à reeleição em 2012.
O
plano foi o seguinte: construir a maior base de dados eleitorais possível, com
o objetivo de alcançar cada eleitor individualmente nos estados onde a campanha
atuaria. Nas palavras de Giuliano da Empoli, analista político, se a campanha
de 2008 representou o uso da internet como ferramenta de comunicação, a de 2012
marcaria o uso da internet como instrumento de inteligência estratégica.
De
lá para cá, esse modelo se tornou comum em praticamente todos os lados. A
internet transformou-se numa ferramenta de segmentação — um prato cheio para
quem coleta, analisa e converte dados em influência.
É
por essa razão, caro leitor, que os donos do poder não desejam a regulamentação
da internet e das plataformas digitais, verdadeiras aliadas políticas. Enquanto
você briga com o vizinho dizendo que odeia a esquerda, que a direita é burra,
que professores universitários são comunistas, que o Lula é ladrão, que o
Bolsonaro é golpista, aqueles que realmente controlam as estruturas do poder
agradecem a sua gentileza.
#APolíticaDaDistração
#OAlgoritmoDoPoder
#ReflexãoDigital
#PensarÉRevolucionar
#ManipulaçãoDeDados

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