FREUD 170 ANOS DEPOIS: A PSICANÁLISE QUE AINDA NOS LÊ
Se estivesse vivo, Sigmund Freud completaria hoje 170 anos. Ele
nasceu no então Império Austro-Húngaro, na cidade de Freiberg, em 6 de maio de
1856. Recém-formado, tornou-se neurologista; no entanto, voltou-se ao estudo
dos distúrbios psíquicos após observar o uso da hipnose por Charcot e Breuer. A
psicanálise freudiana nasce justamente do fracasso do método hipnótico.
Freud
criou a psicanálise, que se tornou, ao mesmo tempo, uma teoria da mente, um
método clínico baseado na fala e na interpretação e uma ferramenta cultural
para compreender a arte, a religião, a sociedade e o comportamento humano. Ele
também transgredia suas próprias regras, mostrando que a psicanálise tem vida
própria e, por isso, viceja sempre viva e pulsante.
Aproximei-me
da psicanálise e, consequentemente, do Dr. Freud, por causa da teoria do
desamparo, que para ele é a condição fundamental do ser humano ao nascer. A
dependência absoluta do recém-nascido em relação ao outro é necessária tanto
para a sobrevivência quanto para a organização da vida psíquica.
Dessa
fragilidade inicial surgem o laço afetivo, o desejo e a própria formação do eu.
A angústia, ao longo da vida, é sempre um retorno dessa experiência primordial.
A cultura, por sua vez, funciona como uma tentativa coletiva de proteção diante
desse desamparo estrutural.
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