ARAUTOS EM TEMPOS DE PROFANAÇÃO
Jesus, depois de ressuscitado, apareceu aos discípulos durante
quarenta dias. Antes de subir ao céu, repreendeu seus seguidores,
lembrando-lhes a incredulidade com que receberam as notícias de suas aparições.
Em seguida, ordenou que fossem por todo o mundo e pregassem o evangelho.
A
ordem de Jesus foi direta, quase como um sopro que empurra alguém para fora da
porta: Ide. Não havia margem para hesitação. O imperativo do Nazareno abriu
diante dos discípulos uma estrada longa, imprevisível e cheia de riscos, mas
também carregada de sentido.
A
partir daquele envio, iniciou-se uma jornada que atravessou cidades, desertos,
portos e sinagogas. Onde chegavam, o evangelho ganhava voz; vidas eram
transformadas, famílias eram batizadas, enfermos se levantavam, milagres se
tornavam testemunho vivo. No entanto, junto com a luz vinha a sombra:
perseguições, prisões, fugas às pressas, noites insones. Ainda assim, nada
deteve o avanço daquela chama recém‑acesa.
Toda
essa travessia, feita de coragem, lágrimas, fé e resistência, está registrada
nas páginas de Atos dos Apóstolos, onde Lucas narra o desdobramento da
ordem que começou com um único verbo: ide.
Embora
difícil, a missão era objetiva: “ide por todo o mundo e pregai o evangelho a
toda criatura” (Marcos 16.15). Como já vimos, o “ide” não significava
simplesmente “vá”; era uma ordem que colocava o discípulo em movimento
contínuo, chamando‑o a permanecer na jornada iniciada. Jesus, ao pronunciá‑lo,
já deixava claro que resistência e persistência seriam indispensáveis.
O
“ide” demudou seguidores em enviados, transformou aprendizes em apóstolos, metamorfoseou
ouvintes em missionários. Era mais que um verbo: era a identidade que passariam
a carregar.
Estava
sobre os comissionados o imperativo de “pregai o evangelho”. A pregação não
deveria ser feita de qualquer forma. Jesus ordenou que os discípulos
anunciassem o evangelho como arautos. Um arauto é, essencialmente, um
mensageiro oficial encarregado de anunciar algo em nome de uma autoridade
maior. Neste caso, a autoridade é o próprio Cristo ressuscitado. Veja, caro
leitor: o discípulo‑arauto não fala por si; ele fala em nome de Jesus.
Por
essa razão, os discípulos deveriam pregar o evangelho a toda criatura, pois a
universalidade da mensagem é típica da função do arauto: ele anuncia onde for
necessário, sem escolher público.
Outra
função distintiva do arauto é abrir o caminho para a chegada do rei. Ao pregar
o evangelho, o discípulo prepara corações para o encontro com Cristo,
preparando o terreno para a presença do Soberano. Quando Jesus foi assunto ao
céu, dois anjos disseram aos galileus que Ele voltaria do mesmo modo como foi
visto subir (Atos 1.11). Deste modo, o Rei Jesus chegaria aos corações
convertidos e voltaria visivelmente nesta terra.
A
mensagem também foi delimitada por Jesus de Nazaré: o evangelho. Aqui
precisamos ser definitivos: o evangelho é a pregação de (ou sobre) Jesus
Cristo, que, tendo sofrido a morte na cruz para obter a salvação eterna para os
homens no Reino de Deus, foi restaurado à vida e exaltado à direita do Pai no
céu, de onde voltará para consumar o Reino de Deus. Qualquer mensagem diferente
disso não é evangelho e, segundo Paulo, apóstolo, seja anátema (Gálatas 1.8).
Por
conseguinte, diante de tal verdade e responsabilidade, nós, povo de Deus,
discípulos de Jesus, missionários nesta terra, arautos do evangelho, enviados
pelo sopro do Espírito Santo, Igreja do Senhor, precisamos denunciar, com voz
profética, aqueles que não pregam o evangelho com fidelidade e que, por isso,
são arautos da mentira, mensageiros de Satanás, profanos e espúrios que fizeram
da mensagem uma fonte de renda.
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