MARX JÁ SABIA!
Sinto dizer, caro leitor, mas você precisa ler Marx se quiser
compreender o que está acontecendo no Vale do Silício. De acordo com O Globo,
startups da região estão criando réplicas de sites conhecidos para treinar
agentes de inteligência artificial, com o objetivo de, no futuro, substituir
trabalhadores. Mas o que isso tem a ver com a teoria marxiana? Segundo Marx, a
divisão de classes se estrutura na oposição entre burguesia — detentora dos
meios de produção — e proletariado — força de trabalho explorada. Essa lógica
se manifesta claramente no Vale do Silício: os grandes capitalistas da
tecnologia, fundadores e investidores concentram o capital, a propriedade
intelectual e o controle das plataformas digitais.
A obra marxiana ajuda a compreender o movimento dessas startups.
Nesse contexto, a reprodução digital de ambientes de trabalho para treinar
máquinas representa uma nova etapa da lógica capitalista: ao automatizar
funções humanas, os donos dos meios de produção ampliam sua margem de lucro e
concentram ainda mais poder, enquanto os trabalhadores enfrentam o risco de
serem descartados. Marx já antecipava que o capital buscaria substituir o
trabalho vivo (a força humana) pelo trabalho morto (máquinas, ferramentas,
tecnologia), pois isso aumenta a produtividade e reduz custos. No caso das
startups do Vale do Silício, vemos exatamente essa lógica: ao preparar sistemas
capazes de executar tarefas antes realizadas por pessoas, os capitalistas
buscam eliminar a dependência da força de trabalho e ampliar a extração de
mais-valia.
Marx também descreveu o exército industrial de reserva como a massa
de trabalhadores desempregados ou subempregados que o capitalismo mantém
disponível para pressionar salários para baixo e reforçar a disciplina da
classe trabalhadora. No Vale do Silício, esse conceito se atualiza: ao
automatizar tarefas, milhões de trabalhadores podem ser descartados,
engrossando esse exército de reserva. Isso não apenas reduz o poder de barganha
dos empregados que permanecem, mas também intensifica a precarização, já que o
medo do desemprego força a aceitação de condições mais desfavoráveis. Assim, a
tecnologia, longe de ser neutra, funciona como instrumento da lógica
capitalista de acumulação, ampliando a mais-valia e aprofundando a alienação,
enquanto expande o contingente de trabalhadores disponíveis e vulneráveis.
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Perfeito, muito bom!!! Sempre Luís Braga. Abraços.
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