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Mostrando postagens de outubro, 2025

CULUTRA: O CULTIVO DA SUBJETIVDADE HUMANA

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  A subjetividade humana nutre-se, intelectualmente, por meio de estímulos culturais. Nesse sentido, podemos comparar os seres humanos às plantas, que produzem seu próprio alimento. Destarte, como tarefa intelectual, tal produção se realiza entre contrastes ideológicos, uma vez que a cultura se sustenta na multiplicidade. Como quase tudo o que conhecemos, a forma como entendemos a cultura nasce quando o homem se sedentariza, durante a Revolução Agrícola, por volta de 10.000 a.C. Nesse período, os indivíduos acrescentaram às suas práticas de caça e coleta o cultivo de alimentos e a domesticação de animais. Assim, não é por acaso que compreendemos cultura como um modo de cultivar, à semelhança da agricultura. Essa transformação impactou diretamente a prática cultural: ao se fixarem em aldeias e desenvolverem excedentes de produção, os grupos humanos puderam dedicar mais tempo a atividades simbólicas, religiosas, artísticas e sociais. O surgimento da escrita, das primeiras formas de...

BONECAS SEXUAIS: QUANDO A FANTASIA INVADE O CASAMENTO

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Em uma publicação do The Washington Post , o especialista Joshua Coleman respondeu à pergunta de uma mulher que descobriu que o marido mantinha, em sua garagem, uma boneca sexual de silicone. O parceiro afirmou que o uso era apenas uma válvula de escape, enquanto a parceira, casada há dez anos, sentiu-se traída. O caso levantou o debate sobre o que seria ou não considerado traição. É comum que mulheres solteiras utilizem brinquedos sexuais, como vibradores, e que homens solteiros gastem dinheiro em boates. Entretanto, no casamento, tais fantasias raramente se tornam aparentes. A fantasia, na psicanálise, funciona como um roteiro imaginário que expressa desejos inconscientes, servindo de ponte entre o sujeito e sua realidade psíquica. Nesse sentido, de acordo com Jacques Lacan, a fantasia do marido em torno da relação com a boneca organizou seu desejo e sustentou sua posição diante do objeto de sua falta – o que Lacan denominou objeto a. A própria mulher trouxe um indício em sua per...

NÃO HÁ ROMANCE NA DUREZA

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Jessy saiu da casa dos pais aos 16 anos para tentar a vida em uma cidade maior, no sul de Minas Gerais. Até se organizar nesse município turístico, Jessy comeu o pão que o diabo amassou. Sozinha, dormiu no chão gelado, sem acesso à água e à energia elétrica. Somente agora, aos 29 anos, conseguiu, finalmente, uma certa estabilidade, embora sua vida ainda se resuma a trabalhar para pagar as contas, sem direito a passeios ou momentos de lazer. A mineira, que atua no comércio local, é conhecida por sua personalidade forte. No entanto, não permite ser admirada, pois considera sua rotina sobrecarregada um verdadeiro fardo. É enfática ao afirmar que não romantiza a vida difícil. A sina de Jessy se assemelha à de muitos brasileiros e brasileiras. No Brasil, não existe vida digna para quem recebe apenas um salário-mínimo. A luta desses trabalhadores e trabalhadoras não deveria causar tão-somente admiração, mas sim espanto e revolta, para que todos nós nos unamos em defesa da justiça social ...

A ilusão das placas e a urgência de políticas públicas efetivas

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Nos últimos meses, a cidade de Mogi Guaçu, no interior de São Paulo, espalhou placas com os dizeres “não dê esmolas” em pontos estratégicos, numa tentativa de lidar com a população em situação de rua. A medida, no entanto, revela mais uma vez a superficialidade de certas ações governamentais: em vez de enfrentar as causas estruturais do problema, transfere-se a responsabilidade para a sociedade, como se a solidariedade fosse a raiz da questão. Paralelamente, a Secretaria de Segurança promoveu internações compulsórias de pessoas com adicção, mas os resultados mostram que os moradores de rua não estão retornando às suas cidades de origem; ao contrário, estão migrando para bairros periféricos, ampliando a desigualdade social dentro do próprio município. A erradicação da população em situação de rua exige muito mais do que placas ou medidas repressivas. É preciso investir em políticas públicas efetivas, que articulem moradia digna, acesso à saúde, educação, qualificação profissional e op...

SOBRE O PERIGO DA ROMANTIZAÇÃO

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  Romantizar determinados assuntos muitas vezes impede que sejam tratados com a seriedade necessária. Para além da corrupção e do sucateamento, a educação no Brasil encontra-se em estado deplorável, em parte pela ideia equivocada do “professor por amor”. Educar, sobretudo, é um ato político — não romântico. Relacionamentos chegam ao fim quando surge o mal-estar, pois os sujeitos aprenderam a se relacionar com o objetivo de serem felizes. No entanto, o relacionamento é uma construção social que não tem a felicidade como pressuposto. Muitas pessoas se frustram por terem romantizado um modo de viver, ignorando os enfrentamentos inevitáveis ao longo da jornada. Viver é resistir aos dias difíceis. A romantização pode oferecer a utopia necessária para alcançar certos objetivos; contudo, é a sobriedade que ilumina o caminho até a linha de chegada. #reflexãocrítica #educaçãoépolítica #desromantize #realidadebrasileira #pensamentosocial #romantizaçãonão #viverrésistir #construçãosoc...

TODO MUNDO LOUCO, MAS DE TERAPIA EM DIA

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Faz parte de qualquer apresentação — principalmente no Tinder — dizer que a terapia está em dia. Todo mundo procura alguém com os remédios psiquiátricos ajustados. Quem encontra uma pessoa com boa saúde mental, na verdade, encontrou um tesouro. Não há uma única pessoa que eu conheça que não esteja tentando regular suas emoções. Estamos todos no mesmo barco furado. A saúde mental de ninguém está em bom estado diante desta tragédia grega que chamamos de vida. Aqui, quero invocar o pai da psicologia analítica — Carl Gustav Jung — que formulou a teoria dos complexos. Embora os complexos possam surgir em qualquer momento, na maioria das vezes, originam-se na infância ou na adolescência. Segundo Jung, quando uma experiência é vivida com dor, alegria, vergonha, medo, rejeição ou frustração e não é plenamente digerida pela consciência, ela se organiza em torno de um núcleo afetivo. Senão vejamos: uma criança que sente que nunca agrada os pais pode desenvolver um complexo de inferioridade; ...

SEM TEMPO PARA VIVER

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  Neste ano de 2025, tenho ouvido quase por unanimidade: não há tempo para nada além do trabalho. Vozes vindas dos quatro cantos deste mundo de meu Deus soam como um coral uníssono. Todos estão ocupados, trabalhando até altas horas da madrugada — e para que tudo isso? Eis a questão. O neoliberalismo tem levado as pessoas a trabalharem cada vez mais ao promover a flexibilização das leis trabalhistas, a precarização dos empregos e a informalização das relações de trabalho. Esse modelo transfere responsabilidades do Estado para o indivíduo, incentivando jornadas extenuantes, múltiplos empregos e constante adaptação às exigências do mercado. A pressão por produtividade faz com que muitos trabalhadores vivam em permanente instabilidade, buscando renda suficiente em um cenário de competição intensa e escassez de direitos. O neoliberalismo também tem adoecido as pessoas porque, ao impor jornadas longas, instabilidade e pressão constante por resultados, gera estresse crônico, ansieda...

MADONNA, ME ADD NO PRIVACY!

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Vira e mexe, vejo notícias de celebridades instantâneas que começaram a publicar conteúdos em plataformas como Privacy e OnlyFans. A primeira que vi foi Luiza Ambiel, famosa pela banheira do Gugu; depois MC Mirella; e agora Jesus Luz, ex-namorado da cantora Madonna. Evidentemente, há outras personalidades que a mídia não noticiou. Jesus Luz é modelo, DJ e ator, e ficou conhecido por seu relacionamento com Madonna, entre 2008 e 2010. Não quero, de forma alguma, fazer juízo de valor sobre quem publica conteúdo adulto. Lembro-me de quando era adolescente e adorava ler a revista Caras para conhecer a vida dos famosos — principalmente a idade deles. Era um verdadeiro “Deus nos acuda” para fazer um filme pornô circular pela sala entre os meninos, sem que os professores ou nossos pais descobrissem. Meu sobrinho de 20 anos não faz ideia do que era essa aventura. Passar pela banca de jornais e ver a capa da Playboy sem ser percebido equivalia a uma atividade de risco. Entrar na sessão...