NÃO HÁ ROMANCE NA DUREZA
Jessy saiu da casa dos pais aos 16 anos para tentar a vida em uma
cidade maior, no sul de Minas Gerais. Até se organizar nesse município
turístico, Jessy comeu o pão que o diabo amassou. Sozinha, dormiu no chão
gelado, sem acesso à água e à energia elétrica. Somente agora, aos 29 anos,
conseguiu, finalmente, uma certa estabilidade, embora sua vida ainda se resuma
a trabalhar para pagar as contas, sem direito a passeios ou momentos de lazer.
A mineira, que atua no comércio local, é conhecida por sua
personalidade forte. No entanto, não permite ser admirada, pois considera sua
rotina sobrecarregada um verdadeiro fardo. É enfática ao afirmar que não
romantiza a vida difícil.
A sina de Jessy se assemelha à de muitos brasileiros e brasileiras.
No Brasil, não existe vida digna para quem recebe apenas um salário-mínimo. A
luta desses trabalhadores e trabalhadoras não deveria causar tão-somente admiração,
mas sim espanto e revolta, para que todos nós nos unamos em defesa da justiça
social e contra toda forma de injustiça.
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