CULUTRA: O CULTIVO DA SUBJETIVDADE HUMANA
A subjetividade humana nutre-se, intelectualmente, por meio de
estímulos culturais. Nesse sentido, podemos comparar os seres humanos às
plantas, que produzem seu próprio alimento. Destarte, como tarefa intelectual,
tal produção se realiza entre contrastes ideológicos, uma vez que a cultura se
sustenta na multiplicidade. Como quase tudo o que conhecemos, a forma como
entendemos a cultura nasce quando o homem se sedentariza, durante a Revolução
Agrícola, por volta de 10.000 a.C. Nesse período, os indivíduos acrescentaram
às suas práticas de caça e coleta o cultivo de alimentos e a domesticação de
animais.
Assim, não é por acaso que compreendemos cultura como um modo de
cultivar, à semelhança da agricultura. Essa transformação impactou diretamente
a prática cultural: ao se fixarem em aldeias e desenvolverem excedentes de
produção, os grupos humanos puderam dedicar mais tempo a atividades simbólicas,
religiosas, artísticas e sociais. O surgimento da escrita, das primeiras formas
de organização política e das expressões artísticas mais complexas está
intimamente ligado a esse processo, já que a estabilidade alimentar permitiu a
especialização do trabalho e a transmissão de saberes.
A metáfora com as plantas é significativa: assim como elas
sintetizam seu próprio alimento, os seres humanos elaboram intelectualmente sua
nutrição simbólica a partir dos estímulos culturais. Essa “produção” não é
homogênea, mas atravessada por tensões, contradições e contrastes ideológicos,
justamente porque a cultura não é única, mas plural, múltipla e em constante
disputa de sentidos. Assim, a subjetividade não é algo dado, mas sim uma
construção permanente, moldada pela diversidade cultural que nos cerca.
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