A ilusão das placas e a urgência de políticas públicas efetivas
Nos últimos meses, a cidade de Mogi Guaçu, no interior de São
Paulo, espalhou placas com os dizeres “não dê esmolas” em pontos estratégicos,
numa tentativa de lidar com a população em situação de rua. A medida, no
entanto, revela mais uma vez a superficialidade de certas ações governamentais:
em vez de enfrentar as causas estruturais do problema, transfere-se a
responsabilidade para a sociedade, como se a solidariedade fosse a raiz da
questão. Paralelamente, a Secretaria de Segurança promoveu internações compulsórias
de pessoas com adicção, mas os resultados mostram que os moradores de rua não
estão retornando às suas cidades de origem; ao contrário, estão migrando para
bairros periféricos, ampliando a desigualdade social dentro do próprio
município.
A erradicação da população em situação de rua exige muito mais do
que placas ou medidas repressivas. É preciso investir em políticas públicas
efetivas, que articulem moradia digna, acesso à saúde, educação, qualificação
profissional e oportunidades de trabalho. Experiências nacionais já apontam
caminhos: o Plano Ruas Visíveis, que organiza ações em sete eixos, a criação
dos Centros Pop, que oferecem atendimento especializado e fortalecimento de
vínculos, e a Lei 14.821/2024, que instituiu a Política Nacional de Trabalho
Digno e Cidadania para a População em Situação de Rua, prevendo qualificação
profissional, acesso ao microcrédito e a criação dos CatRua. No âmbito
municipal, cabe às prefeituras implementar políticas locais integradas, como
equipes multidisciplinares de abordagem social — a exemplo do programa
Consultório na Rua, já adotado em João Pessoa —, além de programas
habitacionais inclusivos e parcerias com organizações da sociedade civil.
As placas espalhadas pela cidade, portanto, não passam de um gesto
simbólico, “para inglês ver”. Não resolvem o problema, apenas deslocam a
população em situação de rua dos centros urbanos para bairros mais carentes,
reforçando a exclusão. O que se exige é coragem política para enfrentar as
desigualdades estruturais e compromisso em construir soluções duradouras.
Afinal, a forma como tratamos os mais vulneráveis é o verdadeiro retrato da
nossa democracia.
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