BONECAS SEXUAIS: QUANDO A FANTASIA INVADE O CASAMENTO
Em uma publicação do The Washington Post, o especialista
Joshua Coleman respondeu à pergunta de uma mulher que descobriu que o marido
mantinha, em sua garagem, uma boneca sexual de silicone. O parceiro afirmou que
o uso era apenas uma válvula de escape, enquanto a parceira, casada há dez
anos, sentiu-se traída. O caso levantou o debate sobre o que seria ou não
considerado traição.
É comum que mulheres solteiras utilizem brinquedos sexuais, como
vibradores, e que homens solteiros gastem dinheiro em boates. Entretanto, no
casamento, tais fantasias raramente se tornam aparentes. A fantasia, na
psicanálise, funciona como um roteiro imaginário que expressa desejos
inconscientes, servindo de ponte entre o sujeito e sua realidade psíquica.
Nesse sentido, de acordo com Jacques Lacan, a fantasia do marido em torno da
relação com a boneca organizou seu desejo e sustentou sua posição diante do objeto
de sua falta – o que Lacan denominou objeto a.
A própria mulher trouxe um indício em sua pergunta: “Ele sempre foi
muito mais interessado em fazer sexo do que eu”. Para o marido, a boneca
representou a materialização do imaginário, pois ofereceu a ele um corpo
“disponível” diante da “indisponibilidade” da esposa, transformando o brinquedo
em objeto substitutivo.
Embora, para o parceiro, a boneca funcionasse como válvula de
escape, a mulher sentiu-se traída. Tal sentimento é uma reação compreensível,
já que o impacto não está apenas no objeto em si, mas no significado simbólico
e no segredo que envolveu a prática. Assim, o que define a traição não é o
objeto em si, mas o impacto simbólico e concreto no casamento, na confiança, na
intimidade e no pacto conjugal.
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