SÉRIE: NOSSA GENTE: A Paz do Homem - artigo do escritor Paul Law
A
Paz do Homem
Quando
alguém deixa de existir é comum ouvirmos a expressão “descanse em paz”. A
interpretação que me vem é a de que para ter paz é preciso morrer ou pelo menos
descansar. Daí, alcanço a dedução de que é difícil alcançar a paz. Indo mais
longe é quase uma utopia pensar em paz verdadeira e já
explico os meus motivos.
Nossos
dias são tomados por várias tarefas. A maioria delas é necessária para se
alcançar determinado objetivo. Um curso para uma profissão rentável; um
trabalho bem feito para uma promoção na empresa;uma poupança para um carro
melhor; um investimento para aumentar a clientela. Nada é feito à toa. Sempre
que fazemos algo, imaginamos colher os frutos das nossas ações e quando isso
ocorre, sentimos o que chamamos de realização, satisfação, sucesso, felicidade.
Há muitas palavras, mas não há paz.
Para
haver paz é preciso existir o que temos no sono ou (quem sabe?) na morte:
despretensão. Já reparou? Quando dormimos não pensamos nos benefícios de uma
boa noite de sono, embora eles existam. Adormecemos e pronto. O ato de dormir
exaure-se em si mesmo. Em outras palavras, adormecer é adormecer, nada além
disso.
Podemos
levar esta premissa à Natureza. Nela não existe acontecimentos prévios, cuja
necessidade seja conscientemente justificada para a obtenção de outra coisa.
Apesar de sabermos que é preciso chuva para florir; que é necessária terra boa
para a semente ser convertida em planta, tanto a planta quanto a semente não
possuem a capacidade de pensar que se não ocorrer chuva, se não existir terra
apropriada, não haverá existência. As coisas simplesmente acontecem e vão
continuar acontecendo. O vento venta e só. Por isso, ele está em paz.
Tal
qual o vento que é o que faz, deve ser o homem em paz e é por isso que é tão
difícil sê-lo. O homem não sabe o que fazer; não achou sua natureza e cada vez
mais se distancia do caminho que poderia levá-lo a ela. O contrário a paz,
obviamente é a guerra, a violência, a insanidade, muitas vezes vestida de
hipocrisia. Neste contexto, o homem simula a paz. Os mais sensíveis percebem
que há algo de errado no Mundo, embora não possam afirmar o quê. Eles acabam
sendo contaminados pelo tempo em que vivem e se tornam grandes hipócritas.
Então se frustram; não desejam ser falsos, artificiais. É contra a natureza
humana fingir;é contra a natureza do universo. É contra a paz. É por tudo isso
que o homem só alcança a paz em sonhos ou nos braços da morte.
(imagem da internet)

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