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Mostrando postagens de janeiro, 2026

O PARADOXO DO PERTENCER

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O meu desafio, nestes 24 anos de cristandade, foi criar vínculos dentro da comunidade cristã. Sempre tive dificuldade em estabelecer conexões – aliás, só fui me preocupar com isso depois dos 30 anos. Entretanto, a vocação filosófica me levou a refletir sobre duas questões que desenvolvo nas próximas linhas. A comunidade cristã, ou seja, a igreja, é exclusiva, não inclusiva. A Igreja universal – e aqui não me refiro à do Macedo – é a comunidade formada por aqueles que Deus aceitou em Jesus, efetivamente chamados e santificados pelo seu Espírito. Já a igreja local, que os teólogos chamam de igreja militante, possui autoridade, por meio de seus presbíteros, para aceitar ou não determinada pessoa, não sendo obrigada a receber todo mundo. Embora exerça função social, a igreja é uma instituição privada, e é bom que seja assim. O segundo ponto está no fato de que, em um grupo, não se entra simplesmente; somos “entrados”. O querer não é poder – na maioria dos grupos cristãos, o querer impo...

A EDUCAÇÃO SUBMISSA AO MUNDO DO TRABALHO

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O magistério sempre foi a minha paixão. Amo quando sou chamado de professor. Entretanto, tenho me afastado cada vez mais da sala de aula, e isso se deve à crescente burocratização do ensino. A educação deixou de ser uma das mais belas artes livres para se tornar a parte submissa na relação entre o Ministério da Educação e as secretarias de educação dos estados e dos municípios. A partir daqui, recorro à Filosofia, enquanto disciplina, tomando como base a proposta do filósofo alemão do século XX Josef Pieper, em seu livro “Que é filosofar?”. Pieper afirma que o filosofar consiste em uma ação que ultrapassa o mundo do trabalho. Esse mundo é definido pelo objetivo de realizar aquilo que ele chamou de “utilidade comum”. Assim, faz parte da essência do ato filosófico não pertencer a esse universo das utilidades e eficiências, da necessidade e do rendimento. A filosofia transcende o mundo do trabalho; por isso, segundo o autor, a questão filosófica atravessa o limiar que encerra o cotidian...

OS DEUSES DO OLIMPO, OU MELHOR, DO STF E MALU GASPAR

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Na faculdade de Direito, ouvi uma frase que faz muito sentido: os advogados pensam que são deuses, já os juízes têm certeza de suas divindades. Parece-me que os juízes do STF, que chamamos de ministros, revestem-se de uma couraça divina – para além da toga – que eles não têm. Os movimentos dos integrantes da suprema corte são limitados pela Constituição Federal – livro este que eles não costumam seguir, já que uma das missões divinais dos ministros é a interpretação constitucional. A ética é uma das premissas balizadoras de um magistrado. Todavia, o que é ética, não é mesmo? Existe a ética que emana do espírito das leis e aquilo que os ministros pensam ser uma conduta ética. Os juízes do Supremo Tribunal Federal normalizam comportamentos antiéticos. Entre o Olimpo e a terra está a imprensa para a nossa sorte. A jornalista Malu Gaspar, consciente de sua missão, resolveu enfrentar os deuses do STF. No entanto, muitos dos seus colegas, calaram-se e não saíram em sua defesa. Cadê as fe...