O PARADOXO DO PERTENCER


O meu desafio, nestes 24 anos de cristandade, foi criar vínculos dentro da comunidade cristã. Sempre tive dificuldade em estabelecer conexões – aliás, só fui me preocupar com isso depois dos 30 anos. Entretanto, a vocação filosófica me levou a refletir sobre duas questões que desenvolvo nas próximas linhas.

A comunidade cristã, ou seja, a igreja, é exclusiva, não inclusiva. A Igreja universal – e aqui não me refiro à do Macedo – é a comunidade formada por aqueles que Deus aceitou em Jesus, efetivamente chamados e santificados pelo seu Espírito. Já a igreja local, que os teólogos chamam de igreja militante, possui autoridade, por meio de seus presbíteros, para aceitar ou não determinada pessoa, não sendo obrigada a receber todo mundo. Embora exerça função social, a igreja é uma instituição privada, e é bom que seja assim.

O segundo ponto está no fato de que, em um grupo, não se entra simplesmente; somos “entrados”. O querer não é poder – na maioria dos grupos cristãos, o querer importa pouco. O aceite sempre depende do grupo ou dos líderes daquela comunidade. Isso acontece desde o dia em que Cristo instituiu a igreja. Paulo, apóstolo, na carta aos Gálatas, relatou a dificuldade que enfrentou para ser aceito pela comunidade apostólica. Os baluartes da igreja de Jerusalém só o receberam depois de conhecerem a graça que lhe havia sido concedida.

Pois bem, não quero dizer que as comunidades cristãs e seus grupos estejam errados por agirem assim – até porque pouco importa para eles o que se pensa a respeito de sua forma de agir. O meu desejo, como sempre, é provocar reflexão e pensamento. Ser o patinho feio até tem suas vantagens, mas, na jornada, não é agradável caminhar sozinho.

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