A FESTA DA FIRMA

A confraternização da firma foi um espetáculo digno de nota: mesas fartas, copos sempre cheios e gargalhadas que ecoaram madrugada adentro. No entanto, como toda boa festa, o domingo terminou em ressaca — e a segunda-feira trouxe a conta.

O Carlão do RH convocou uma reunião com o gerente-geral e o jurídico. O tom era de missa de sétimo dia.

— Senhores, no sábado tivemos alguns... exageros. Por isso, algumas demissões serão inevitáveis.

O gerente, com a serenidade de um carrasco medieval, começou a lista:

— Raquel, a senhora está demitida.

— Eu? Mas por quê?

— O biquíni curto demais. A confraternização era da empresa, não do BBB.

— Eduardo, o senhor também está fora. O Zé, porteiro, jurou que viu o senhor fumando maconha.

(Nota da redação: o Zé nunca perde uma oportunidade de virar testemunha ocular da história.)

— Pedrão, não adianta chorar. Bebeu como se fosse dono da Ambev e ainda importunou a Glória, da qualidade.

— Vera, justa causa.

— Justa causa? Mas eu sou secretária do dono da empresa há vinte anos!

— Pois é. A estagiária disse que a senhora falou horrores do patrão.

Foi então que Dona Vera resolveu soltar a bomba:

— E a estagiária não contou que sai com o patrão depois do expediente, né?

O gerente pigarreou, ajeitou a gravata e encerrou como quem troca de canal na TV:

— Isso eu vejo depois.

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