A ÚLTIMA DO ANO
Na minha última sessão com a Cinthia, realizada na semana do Natal, fizemos um balanço de 2025 e uma possível previsão para 2026, que ela chamou, com inteligência, de intencionalidades. A minha miopia, associada ao astigmatismo, impede que eu enxergue longe — e isso se reflete na dificuldade de fazer planos a longo prazo. Em linhas gerais, 2025 foi um bom ano, apesar das perdas: perdi o emprego, a namorada, a avó materna e uma tia. Em compensação, tive a oportunidade de aprender alguma coisa a partir dessas ausências. O fato de não ser engajado faz com que eu não espere nada de 2026. Não tenho prazer na falta de esperança. É triste não ter expectativa. Eu seria um bom ateu, se não fosse cristão. Embora não espere nada do próximo ano, desejo me tornar um ser humano melhor — melhor para mim, para minha família e para a sociedade. Não fazer planos a longo prazo me obriga a viver o hoje. Os meus óculos só alcançam o crepúsculo. Destarte, é impossível não lembrar de João, quando, ...