MACHADO DE ASSIS: UM ESCRITOR NEGRO QUE NUNCA PRODUZIU LITERATURA NEGRA
Nesta data importante, conhecida como Dia da Consciência Negra,
aproveito a oportunidade para esclarecer alguns pontos que considero relevantes
em torno da figura do meu patrono na Academia Guaçuana de Letras, o escritor
Joaquim Maria Machado de Assis.
O fundador da Academia Brasileira de Letras nasceu no Morro do
Livramento, Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1839. Era filho do pintor
Francisco José de Assis e da portuguesa açoriana Maria Leopoldina Machado de
Assis. Casou-se, em 1869, com Carolina Augusta Xavier de Novais, com quem viveu
até a morte dela, em 1904. O casal não teve filhos. Machado faleceu em 29 de
setembro de 1908, no Rio de Janeiro.
Acredito que Machado de Assis possuía um talento natural para a
escrita. Contudo, o fato de ter trabalhado na Tipografia Nacional (1856), no
Correio Mercantil (1858), no Diário do Rio de Janeiro (1860) e na Imprensa
Oficial/Diário Oficial (1867) contribuiu para o desenvolvimento de suas
habilidades como escritor.
Podemos dividir o estilo literário de Machado de Assis em duas
fases distintas. A primeira é a fase Romântica (até 1880), na qual publicou
obras como Ressurreição, A Mão e a Luva, Helena e Iaiá Garcia, marcadas por
amores idealizados e personagens típicos do Romantismo. A segunda fase é a
Realista (a partir de 1881), inaugurada por Memórias Póstumas de Brás Cubas e
seguida por Quincas Borba, Dom Casmurro, Esaú e Jacó e Memorial de Aires. O
conhecimento profundo da realidade fluminense possibilitou que Machado
escrevesse de forma verossímil e crítica.
O crítico literário Harold Bloom (1930–2019) considerou Machado de
Assis o maior escritor negro de todos os tempos. A partir dessa crítica,
podemos reconhecer Joaquim Maria Machado de Assis como homem negro que produziu
literatura universal, sem limitar sua obra a uma “literatura negra”. Note, caro
leitor, que em sua produção não encontramos manifestos raciais como os de Luís
Gama ou Lima Barreto. No entanto, reafirmar Machado como escritor negro é
reconhecer sua origem e identidade, corrigindo séculos de apagamento, sem a
necessidade de forçar o escritor a ser aquilo que nunca se propôs a ser.
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