A LIÇÃO DA JABUTICABEIRA

 


Anos atrás, durante o mês de outubro, na casa dos meus avós, eu passava a tarde inteira à sombra da jabuticabeira. Uma bolinha mais doce que a outra. Empanturrava-me até a barriga ficar cheia. Minha vó sempre deixava um punhado na geladeira, mas as frutas colhidas do pé eram mais gostosas. No entanto, na medida que o tempo foi passando e eu fui deixando de chupá-las, o sabor das jabuticabas se perdeu da minha memória.

Seria o passado um acontecimento que ficou para trás? A resposta curta seria “sim”. Nunca mais saboreei aquelas bolinhas pretas. Contudo, o passado é um evento pretérito que pode ter efeito no futuro. Meus exageros com a jabuticaba, de vez em quando, me causavam desconforto intestinal. Bastava o incômodo passar para que eu voltasse ao pomar.

O passado também pode nos impulsionar rumo ao futuro. Hoje, eu meu trabalho, utilizo vários conhecimentos que aprendi na escola. Tive uma disciplina no ensino fundamental chamada Área Econômica Secundária, onde aprendi manipular argila e a fazer diversos reparos. Nunca mais esqueci. Vira e mexe, uso o que aprendi outrora.

Pois bem, caro leitor, o passado pode ter gosto de jabuticaba e nos inspirar a plantar mudas de jabuticabeira para as futuras gerações. Entretanto, o acontecimento pretérito que nos impede de dar um passo adiante deve ficar em seu lugar – no passado. Isto ninguém pode fazer por nós. Aprendi isso hoje.

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