SEJAMOS BONZINHOS, MAS NEM TANTO

 


A leitura litúrgica de hoje passou pelo Salmo 58. O texto, nas palavras de Moody, é um lamento de um indivíduo indignado pela falta de justiça no mundo. O germe da injustiça é a maldade inata, que constitui o ser humano.

O Brasil não é diferente do antigo Israel. O “descobrimento” de nosso país – sim, “descobrimento” com aspas – se deu por acaso. Uma expedição, liderada por Pedro Álvares Cabral, foi enviada pelo rei de Portugal, Manuel I, com o objetivo de estabelecer um caminho marítimo para as Índias.

Como bom português – entendedores entenderão a piada – Cabral desviou sua expedição para o oeste, chegando, assim, às terras tupiniquins. O erro de navegação culminou no “descobrimento” do Brasil.

Durante o período das grandes navegações, havia um sistema de exploração voltado para os interesses financeiros, e a nova colônia de Portugal também foi palco de práticas de corrupção, tanto por parte de autoridades do país lusitano quanto por aqueles envolvidos no comércio e na extração de recursos.

A corrupção – e aqui estou usando “corrupção”, “iniquidade” e “injustiça” como sinônimos – faz parte do nosso DNA. Voltemos ao Salmo 58. Nele, o salmista pede a Deus que quebre os dentes dos juízes injustos e, ao final de seu clamor, manifesta a certeza de que os justos se alegrarão com a destruição completa dos corruptos.

Sejamos bonzinhos, mas nem tanto. Somos tomados pelo contentamento quando vemos o corrupto ser condenado e ficamos perplexos quando a injustiça triunfa.

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