QUEM PENSA DIFERENTEMENTE DE MIM NÃO É MEU INIMIGO
Em uma conversa, me perguntaram se me posiciono à esquerda ou à
direita. Infelizmente, sou um péssimo jogador de futebol, por isso não tenho
habilidade para jogar com os dois pés. Modéstia à parte, sou um bom professor,
e, apesar de ser canhoto, consigo escrever com as duas mãos. É claro que meu
interlocutor não queria saber nada disso.
Tenho
muita dificuldade em reconhecer, aqui no Brasil, quem é de direita ou de
esquerda. No campo da ideologia política, os conceitos de direita e esquerda
têm raízes históricas que remontam à Revolução Francesa, quando os membros da
Assembleia Nacional se dividiram em dois grupos principais: os que defendiam a
monarquia e a manutenção da ordem estabelecida, sentados à direita, e os que
apoiavam mudanças mais radicais e uma reorganização social, à esquerda.
Note,
caro leitor, que direita e esquerda têm mais a ver com o posicionamento em
relação às propostas do que com a introjeção de ideologias, propostas ou
pautas. Se estou em um lugar onde a maioria apoia o casamento civil homossexual
e eu não, então sou de esquerda. Se estou em um ambiente onde me posiciono com
a maioria que é contra o porte de armas, então sou de direita. Veja que a
esquerda sempre fará coro com a minoria, independentemente de quem seja essa
minoria.
Portanto,
haverá momentos em que me posicionarei à direita e haverá momentos em que me
posicionarei à esquerda, e está tudo bem, porque o nosso modelo de Estado
permite tal dinâmica. Paremos com essa coisa chata de "nós contra
eles". Quem pensa diferente de mim não é meu inimigo, nem meu opositor. O
contraditório refere-se à ideia e não à pessoa.
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