O marxismo, a teoria política e os desafios da esquerda brasileira: reflexões à luz da filosofia brasileira e o pensamento de Emir Sader
Introdução
O
pensamento marxista tem sido uma referência indispensável na formulação das
teorias e práticas da esquerda no Brasil, tanto na crítica às estruturas
capitalistas quanto nas propostas de superação do sistema. No entanto, a
incapacidade de fusão entre teoria e prática política tem gerado impasses e
desafios para a esquerda brasileira, especialmente a partir da década de 1980,
quando o Partido dos Trabalhadores (PT) surgiu como o maior representante da
esquerda no país.
O
artigo "Marxismo, partido e revolução no Brasil atual" de Emir Sader,
aliado ao estudo da Filosofia Brasileira, expõe as questões centrais que
envolvem a crise da teoria marxista aplicada ao contexto brasileiro, o papel do
partido de vanguarda e as perspectivas para a revolução socialista.
Sendo
assim, o presente artigo busca refletir sobre como as ideias marxistas, a
teoria política e a construção de uma revolução socialista podem ser repensadas
no Brasil atual, à luz da crítica à prática política da esquerda e dos
conceitos filosóficos presentes na Escola do Recife.
1.
A insuficiência da teoria e a falta de reavaliação crítica
A
análise feita por Emir Sader no artigo aponta para a falta de uma reflexão
teórica sólida da esquerda brasileira durante o período pós-ditadura militar.
Embora o PT tenha crescido como uma força política importante, especialmente
durante os anos 1980, sua prática política careceu de uma fundamentação teórica
robusta.
O
partido se afastou de um marxismo crítico e voltado para a realidade
brasileira, adotando uma versão de socialismo humanista que não questionava as
bases estruturais do capitalismo. Este fenômeno é também perceptível na
filosofia política brasileira, especialmente nos pensadores que se distanciaram
do marxismo ortodoxo, como na Escola do Recife, que busca refletir sobre as
especificidades históricas e sociais do Brasil.
A
falha em integrar a teoria marxista ao contexto histórico local gerou uma
ausência de respostas eficazes para os desafios estruturais do país, como as
desigualdades sociais e a concentração de poder econômico.
2.
O papel do partido como vanguarda teórica e política
Segundo
Sader, as ideias de partido formuladas pelas correntes da Segunda e da Terceira
Internacional estão superadas diante das mudanças nas relações de poder e na
hegemonia burguesa. Em contraste com a ideia de partidos de massa, defendida na
década de 1980 no Brasil, ele argumenta que o papel do partido deve ser
entendido sob uma perspectiva gramsciana, onde o partido não é apenas um
mediador das demandas das massas, mas uma vanguarda teórica e política capaz de
entender as complexidades da realidade social e de propor estratégias para a
superação do capitalismo.
A relação entre a filosofia brasileira e o
marxismo é particularmente relevante aqui, pois pensadores como Caio Prado Jr.
e outros da Escola do Recife, ao analisarem o Brasil sob a ótica marxista,
apontam para a necessidade de uma teoria política mais adaptada às condições
específicas do país.
3.
A revolução socialista e a superação do capitalismo
O
conceito de revolução, conforme abordado por Sader, continua sendo uma
referência importante para os projetos da esquerda, embora, no Brasil atual, as
formas de luta pela superação do capitalismo precisem ser reconfiguradas. A
revolução não pode ser pensada apenas como a tomada do poder, mas também como a
construção de uma nova sociedade pós-capitalista.
A
crítica de Sader ao modelo das economias centralmente planificadas reflete um
debate fundamental presente também na filosofia brasileira. Na tentativa de
construir um novo modelo de sociedade, é necessário repensar a presença do
mercado e as relações de trabalho, mantendo, porém, a essência da crítica
marxista à exploração do trabalho e à mercadoria.
De
tal modo, as lições da Escola do Recife e o pensamento de Sader apontam para a
construção de uma economia pós-capitalista, onde o socialismo não seja apenas
um ideal político, mas uma prática concreta capaz de transformar as condições
de vida e de trabalho da população.
Conclusão
Portanto,
o artigo de Emir Sader e as reflexões proporcionadas pela Filosofia Brasileira,
especialmente pela Escola do Recife, revelam a importância de uma renovação
teórica da esquerda brasileira.
A
falta de uma reflexão crítica sobre o marxismo e sua aplicação prática tem sido
um dos principais obstáculos para a construção de um projeto socialista no
Brasil. A integração entre a teoria e a prática política é fundamental para
superar os impasses enfrentados pela esquerda e para recolocar a questão da
revolução como uma pauta relevante para as próximas gerações.
Destarte,
a teoria marxista precisa ser retomada de maneira crítica e atualizada,
adaptando-se às condições históricas e sociais do Brasil, de modo a oferecer
respostas concretas para os desafios contemporâneos e redefinir as formas de
luta e de organização que poderão avançar em direção à superação do capitalismo
no Brasil.
Referências bibliográficas
SADER,
Emir. "Marxismo, partido e revolução no Brasil atual". Acesso em:
https://marxismo21.org/polemicas-marxistas-e-de-esquerda/
UNICAMP,
Filosofia Brasileira: Escola do Recife e Marxismo no Brasil. Acesso em: https://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/dossie21Dossie3.pdf

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