SOBRE A DITADURA DA LIBERDADE NOS RELACIONAMENTOS

 

Gostei da expressão usada pela psicanalista Carol Tilkian, a saber, “ditadura da liberdade nos relacionamentos”, talvez pelo paradoxo entre ditadura versus liberdade – amo paradoxos. Segundo a psicanalista, essa ditadura é onde somos, ao mesmo tempo, opressores e oprimidos (sic).

Muitas vezes, não percebemos estar sufocando o espaço dos nossos afetos em nome de uma liberdade que não sabemos o que é direito. Tilkian é categórica ao afirmar que esse amor saudável – mais leve, mais livre e sem expectativas – é adoecedor e que por isso, vivemos em uma epidemia de solidão.

Podemos evoluir o que for em termos tecnológicos, a constituição humana permanece a mesma. Nascemos sem saber cuidar da gente, e foi o outro, seja na função materna seja na função paterna, quem moldou nosso modo de vida. A independência e a autossuficiência são duas facetas da nossa fantasia narcísica.

Por trás dessa roupagem moderna – sem cobranças, sem rótulos, cada um a seu tempo – denuncia nossa dificuldade em ceder, e nosso orgulho em reconhecer a importância que o outro tem. Tudo isto nos coloca numa prisão, que ultimamente denominamos de “bolha”. O filósofo Luiz Felipe Pondé tem razão: o amor é para os corajosos. 


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