AS BENESSES DE SER O ÚLTIMO A SER ESCOLHIDO E O PRIMEIRO A LEVAR UM PÉ NA BUNDA


Uma das desvantagens da obesidade – ou vantagem, dependendo do ângulo – é de ser o último escolhido no time de futebol. Geralmente a escolha se dá por falta de opção. Goleiro e zagueiro são posições comumente compostas por gordos. Não venha me falar em gordofobia porque sempre estive acima do peso. No vôlei o gordo se destaca. Dificilmente alguma bola furava meu bloqueio ou alguém segurava meu saque.

Obesidade é uma doença, agora, ser gordo e feio é uma tragédia – um erro de Deus, talvez. O gordo e feio para conseguir namorar precisa ser engraçado. Mulher, por falta de produto no mercado, até atura um gordo e feio, mas ninguém suporta um gordo, feio e chato. Outra sina do obeso é ser o primeiro a levar um pé na bunda. Entre o gordo e feio, e o rapaz da academia, a rapariga tende a escolher o puxador de ferro.

Desgraça pouca é bobagem, claro, conquanto tudo isso pode ser transformado em benesses. Ser a última escolha e o primeiro a levar um pé na bunda têm suas vantagens. O bom de bola e o maromba da academia são objetos utilitários, ou seja, eles têm apenas a utilidade como objetivo. Evidentemente que isso satisfaz nossas pretensões utilitaristas, todavia, o indivíduo útil é pobre em essência. A utilidade não expressa conteúdo. O pensamento utilitarista carrega consigo a perversidade de que os fins justificam os meios. É melhor um gordo e feio do que um fortão e bom de bola, com disfunção erétil.

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