SORTE DO PAVÃO
UMA
DAS COISAS QUE EU MAIS FIZ desde a minha primeira internação foi pedir perdão. Perdão
daqui perdão de lá, mas nem todos me perdoaram. Uma vez consciente dos meus erros,
deu-se início aquilo que o velho Freud chamou de elaboração. Obviamente que
isto não aconteceu da noite para o dia. Estou no processo há alguns anos.
A demanda
da vez é a minha incapacidade de fazer uma mulher se sentir segura estando
comigo. Aqui vale a pena fazer uma afirmação: se a Cintha, minha psicóloga, deu
e dá conta de mim, ela resolve qualquer parada. Voltemos! A contundência do bom
professor desaparece diante das relações intersubjetivas. O encantamento que se
dá ante a minha caricatura, meu jeito esquisito, e minha forma exótica de pensar
não são suficientes para dar segurança, logo, elas terminam comigo, e, ao
final, sempre peço perdão. Homens, prestem atenção: mulheres querem segurança e
não parceiros meia-boca.
As feministas
cairão de pau em cima de mim, não obstante, dane-se. Precisamos parar com a
patacoada e jogar a real. Fêmeas escolhem machos, em geral, por meio de
critérios que indicam qualidade genética, saúde e capacidade de bons cuidados. O
macho que se destaca é aquele que desenvolve habilidades para oferecer recursos,
como segurança e proteção. E, por favor, paremos com a conversa mole de que
vivemos bem sozinhos porque isso não se sustenta.
O ser
humano é uma espécie gregária por natureza. Isso significa que tendemos a viver
em grupos sociais e buscamos convivência com outras pessoas. Milhões de anos
podem passar, mas a nossa constituição continuará sendo a mesma. A sociabilidade
é inerente ao ser humano porque fomos constituídos com tal comportamento, agora,
o oferecimento de segurança é uma capacidade que necessita ser desenvolvida
senão acontecerá com você, caro leitor, o que acontece comigo: começar um relacionamento,
ser incapaz de oferecer segurança, levar um pontapé e pedir perdão pela
incapacidade. Sorte do pavão que já vem pronto.
#comportamento
#relacionamento #segurança #proteção

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