NÃO SEI VOCÊ, MAS EU JOGO CARTAS

 As cartas são ferramentas milenares utilizadas – ainda hoje é – para a previsão do futuro. O oráculo é um meio de comunicação entre uma divindade ou entidade e nós, os receptores. Os sábios, precisamente, as pitonisas, detinham o poder de interpretar o enigma proposto.

Costumo dizer que o oráculo não traz respostas prontas e claras, interpretar o que está ali se faz necessário. O que significa a dama, o valete e o rei no jogo de truco? E na cacheta? Quais são as implicações da carta da raposa no tarô? Que o médico quis dizer naquela carta que chamamos de “receita”? Qual era a intenção do autor com aquele livro? Que demonstra aquele gráfico? Qual o motivo de a inflação ter subido? Por que minha parceira ou meu parceiro esboçou aquela expressão? Cada pergunta propõe uma interpretação, não existindo, portanto, uma única forma de interpretar.

Compreender passa pelo processo de interpretação e isto leva tempo e como temos preferência pela funcionalidade, deixamos a arte da interpretação de lado e assim não compreendemos o truco, o tarô, a receita do médico, o autor, o gráfico, a inflação e o mais triste, o parceiro ou a parceira. Paulo, apóstolo, compara os cristãos com cartas. Todo sujeito está carregado de dados que precisam ser interpretados para serem compreendidos.

O desafio que se apresenta diante da gente é parar e retomar o exercício supracitado. Como fazê-lo? Infelizmente, não tenho esta resposta. Cabe a nós compreender como cada carta deve ser lida. Não sei você, mas eu jogo cartas.

 

#cartas #comunicação #compreensão #interpretação



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