“... os pobres, sempre os tendes convosco...”

Pouco tempo antes de ser traído por Judas Iscariotes, Jesus foi para Betânia na casa de um homem chamado Simão. Durante a visita, aproximou-se de Jesus de Nazaré uma mulher, que trouxera consigo um vaso de alabastro e dentro dele havia um preciosíssimo perfume de nardo puro. A mulher, chamada Maria, derramou este perfume sobre a cabeça de Jesus. Os discípulos de Cristo ficaram indignados, e, alguns diziam entre si que teria sido melhor vender o perfume e ter entregado o dinheiro aos pobres. O Carpinteiro de Nazaré respondeu aos discípulos, dizendo: “Deixai-a; por que a molestais? Ela praticou boa ação para comigo. Porque os pobres, sempre os tendes convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes o bem...” (Evangelho de Marcos, cap. 14, vers. 3-8).


“Os pobres, sempre os tendes convosco”. Esta frase não deveria ser entendida como sinal de insensibilidade. Na verdade Cristo estava dizendo que haveria outras oportunidades de fazer o bem aos pobres.



Os pobres estão ai, espalhados por todos os cantos. Pobre é aquele desprovido ou mal provido do necessário. A pobreza é uma realidade, mas nós não devemos nos conformar com esta triste realidade.


Às vezes, vejo algumas pessoas indignadas com o Bolsa Família. O Bolsa Família é um programa de transferência direta de renda que beneficia famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza em todo o país. [1]


O Bolsa Família possui três eixos principais: a transferência de renda promove o alívio imediato da pobreza; as condicionalidades reforçam o acesso a direitos sociais básicos nas áreas de educação, saúde e assistência social; e as ações e programas complementares objetivam o desenvolvimento das famílias, de modo que os beneficiários consigam superar a situação de vulnerabilidade.[2]


De quando em quando, escuto as seguintes afirmações: “o Bolsa Família só serve pra sustentar vagabundo”, “trabalhar ninguém quer, né?”, “o governo tem que ensinar a pescar e não só ficar dando o peixe”.


O programa Bolsa Família não estimula a vagabundagem! Sete em cada dez beneficiários adultos do programa estão no mercado de trabalho – procurando emprego ou exercendo atividades precárias, com rendimentos insuficientes para manter suas famílias. Além disso, 1,5 milhão de beneficiários matricularam-se em cursos de qualificação profissional do Pronatec, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, em busca de uma profissão e de uma vida melhor.[3]


É dever do Estado erradicar a pobreza. A erradicação da pobreza é uma garantia constitucional. Constituição Federal de 1988 deixa claro que “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;” (Art. 3º, inc. III, CF/88).


Como é que o Estado erradica a pobreza, a marginalização e reduz as desigualdades sociais e regionais? O Estado erradica a pobreza, a marginalização e reduz as desigualdades sociais e regionais através dos programas sociais, como o Bolsa Família, por exemplo.


É obrigação do Estado dar o peixe, e o soberano faz através dos programas sociais. O Estado também ensina a pescar, e ele o faz através do PROUNI, PRONATEC, FIES. O Estado, também, deve lutar, instruir e incentivar para que todos possam pescar e viver dignamente do resultado de sua pescaria.


Há várias pessoas, ONGs, entidades, instituições, que ajudam os pobres. Certa vez, Jesus pregou para uma grande multidão. Seus discípulos perceberam que já era tarde e pediram para Jesus despedir a multidão a fim de que eles fossem procurar o que comer. Jesus respondeu sabiamente, dizendo: “... dai-lhes vós mesmos, de comer.” (Evangelho de Mateus, cap. 14). Nós homens e mulheres, cristãos ou não, também podemos dar assistência aos pobres.


Quem nunca fez a oração do “Pai Nosso”? Se o Pai é nosso, logo, somos todos irmãos. Não podemos deixar os nossos irmãos num terrível estado de pobreza, numa miserabilidade desgraçada. Quem gostaria de assistir um irmão nas margens da sociedade? Na oração do “Pai Nosso” dizemos: “o pão nosso de cada dia dá-nos hoje”. O pão não é só meu, o pão não é só seu, o pão é nosso, então precisamos socializar o pão. Jesus socializou o pão quando ELE multiplicou e entregou aos discípulos e estes compartilharam com a multidão. O Governo Federal socializa o pão através dos programas sociais. Nós socializamos o pão, quando ajudamos os pobres e quando pagamos os nossos tributos.



[1] http://www.mds.gov.br/bolsafamilia
[2] http://www.mds.gov.br/bolsafamilia
[3] http://m.brasildamudanca.com.br/bolsafamilia/mitos/#mentira-1


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